sexta-feira, agosto 18, 2017

Barcelona

O terrorismo seja sob que versão for e seja qual for a justificação(!!!) é absolutamente repugnante e deve ser denunciado e combatido sem qualquer contemplação.
Desde o 11 de Setembro de 2001, com o ataque às torres gémeas, que o alvo dos terroristas é cada vez mais a matança indiscriminada de civis utilizando para o efeito todo o tipo de armas e engenhos que vão dos aviões aos automóveis e camiões passando por explosivos, bombistas suicidas e sabe-se lá que mais.
O rasto de morte é já muito longo.
Paris, Nairobi, Londres, Nice,Manchester, Madrid e outras cidades onde o braço longo do terror se fez sentir.
Agora foi Barcelona.
Um ataque que me chocou particularmente porque Barcelona é seguramente a cidade não portuguesa que melhor conheço fruto das dezenas de vezes que lá estive.
E o lugar do ataque, as emblemáticas Ramblas, é lugar de passagem quase obrigatória de cada vez que vou à cidade condal porque é uma avenida magnifica com uma vida e uma atractividade muito próprias que a tornam verdadeiramente única.
O mundo está cada vez mais perigoso como todos sabemos.
E quando os atentados, os crimes, os efeitos do terrorismo chegam a locais que conhecemos por experiência pessoal, e não apenas por os vermos na televisão, a sensação de insegurança e a convicção de que os Estados tem de combater o terrorismo de forma implacável aumentam em proporções idênticas.
Depois Falamos

Farol


Pelicanos


terça-feira, agosto 15, 2017

As Rádios Locais

O meu artigo desta semana no Duas Caras.
A década de 80 do século passado trouxe à comunicação social portuguesa a maior revolução da sua História com a aparição por todo o país de um fenómeno chamado “rádios locais” e que rapidamente se implantou de norte a sul do país com as novas emissoras a surgirem como cogumelos um pouco por todo o lado.
Num panorama comunicacional que em que havia apenas dois canais de televisão da RTP (as televisões privadas surgiriam pouco depois) e duas rádio nacionais  que eram a RDP (com vários canais) e a Rádio Renascença que também emitia através da RFM, o surgimento das então chamadas “rádio piratas” por operarem sem qualquer licenciamento foi uma brutal lufada de ar fresco depois da qual nada ficou como dantes.
Da TSF, que se transformou numa rádio nacional de referência, à mais modesta rádio local foram um espaço de inovação, de fazer diferente, de revelar talentos que depois em muitos casos viriam a fazer carreira nos grandes orgãos de comunicação nacional.
Sem meios financeiros, com meios técnicos inicialmente débeis, com enormes dificuldades em serem reconhecidas pelos diversos poderes, dos autárquicos aos nacionais, sem acesso (na esmagadora maioria dos casos) a ferramentas de informação como era então o telex (muitos dos que lerão isto nem sequer terão visto um aparelho desses na vida) os colaborados das rádios locais nao tiveram vida fácil e recorrerem à imaginação, à arte de desenrascar, ao superarem com trabalho o que lhes faltava em termos de meios foi a única solução para fazer os projectos radiofónicos andarem para a frente.
Obviamente, é da vida, que muitos desses projectos ficaram pelo caminho ou porque não foram licenciados quando o governo de então, e bem, resolveu impor ordem no panorama radiofónico ou porque os projectos em si não eram suficientemente fortes para se manterem passado o entusiasmo inicial da sua caminhada.
Hoje, também por força da internet, das redes sociais, das rádios digitais, das televisões privadas, dos inúmeros canais por cabo, das dificuldades económicas que o país, e por tabela as empresas, enfrentaram e que se reflectiu fortemente no mercado publicitário que é o único sustento das rádios (pelo menos em termos legais…) muitas delas fecharam portas ou encontram-se em estado quase vegetativo por falta de meios financeiros.
Creio ser, com grande pena minha que sempre fui um entusiasta das rádios locais e colaborador de algumas deles desde a primeira hora, um declínio irreversível face ao contexto em que operam e à feroz concorrência que enfrentam por parte de outros meios de comunicação publicitariamente muito mais apetecíveis.
E o caminho que lhes resta em alguns casos, até para sustentarem estruturas “pesadas” para a realidade dos tempos que correm, é o encostarem-se literalmente aos poderes, nomeadamente os autárquicos, porque deles provém sempre um razoável caudal de publicidade e não só que permite ir aguentando o “barco” durante tanto tempo quanto for possível.
Claro que o preço dessas “ligações perigosas” paga-se em termos de credibilidade, de isenção, de “favores” que se tem de fazer, da perda de qualquer independência informativa e opinativa nas antenas das rádios que passam a ser pouco mais do que uma caixa de ressonância do poder naquilo que ao poder interessa mesclada de alguma programação atractiva para una vasta camada de ouvintes e que funciona como o “queijo” na ratoeira que atrai os ratinhos para onde o “dono “ da ratoeira quer.
Pessoalmente tive um percurso nas rádios locais de Guimarães, e não só, do qual me lembro com saudade e que constituiu dos tempos mais gratificantes que vivi em termos de colaboração com a comunicação social.
Fui dos primeiros colaboradores da extinta Rádio Guimarães onde juntamente com o Miguel Laranjeiro, o Bento Rocha, o Dino Freitas, o Amadeu Portilha, o Esser Jorge, o José Luís Ribeiro, o Carlos Cerca e tantos outros pusemos de pé aquele que terá sido o mais motivador e desafiante projecto de rádio local que Guimarães alguma vez conheceu.
Durou pouco, é verdade, mas foi muito bom!
Depois colaborei durante anos com a Rádio Fundação, especialmente em programas de debate político mas também na sua equipa desportiva nos primeiros tempos que por lá passei, colaboração que mantive esporadicamente ao longo dos anos,com especial incidência nos últimos três onde a convite do António Magalhães (outro da primeira hora das rádios locais) integrei painéis de debate político onde tive muito gosto em estar, e que cessou o mês passado.
Mas também na Santiago, em programas desportivos e políticos, passei muitas centenas de horas de colaboração que ,também elas, me deixaram gratas recordações pelos excelente momentos vividos e pelas pessoas com quem partilhei antena ao longo de muito tempo
Mas tudo isso é passado.
Passado do qual guardo gratas memórias, passado no qual as rádios locais eram verdadeiras “pontas de lança” da informação, da investigação, do comentário critico aos poderes e do livre debate de ideias.
A par de excelentes programas desportivos, musicais, de entretenimento.
Saudades de um passado que não volta!

Glenfinnan, Escócia


O Beijo da Raposa


segunda-feira, agosto 14, 2017

O 8 e o 80

O meu artigo desta semana no zerozero.

O futebol, como tantas outras áreas da vida em comunidade, tem os seus altos e os seus baixos, os seus momentos de extraordinário entusiasmo mas também de enorme tristeza, os seus picos de exaltação mas também os seus espaços de serenidade.
Em suma tem em si o 8 e o 80 !
Com o início dos campeonatos nos diferentes países podemos ir constatando alguns oitos e alguns oitentas que de alguma forma caracterizarão as competições que terão o seu epílogo lá para a primavera do ano que vem.
Na minha modesta opinião o maior “oitenta” do futebol europeu é a Liga Inglesa que teve este fim de semana a sua primeira jornada.
E que jornada!
Num encontro entre campeões o Arsenal venceu o Leicester por 4-3 depois de um jogo magnifico, com constantes alterações no marcador e incerteza até ao fim numa daquelas partidas que justifica bem o entusiasmo que o futebol merece.
Outro campeão, dos maiores da História da “Premier League”, o Liverpool empatou a três com o Watford de Marco Silva num belo jogo de futebol.
Outros dois campeões, os grandes rivais de Manchester começaram a prova de forma categórica com o City indo vencer a Brighton enquanto o United, de José Mourinho, despachava o West Ham de forma categórica com quatro golos sem resposta.
O campeão em titulo, Chelsea, esse começou a prova perdendo em casa com o Burnley depois de um jogo muito disputado em que os visitantes conseguiram superiorizar-se vencendo pro três bolas a duas.
Quanto ao  vice campeão Tottenham foi vencer a casa do histórico Newcastle, este ano regressado à principal divisão, demonstrando também ele estar na corrida para o titulo deste ano.
E são apenas alguns exemplos, versando as equipas mais conhecidas , do que foi o espectacular início da liga inglesa da temporada 2017/2018 prometendo ser, como sempre, a melhor liga europeia e portanto também a melhor liga do mundo.
Estádios cheios, futebol espectáculo, grandes equipas e grandes jogadores, treinadores de topo (Mourinho, Guardiola, Klopp,Wenger, Conte, etc), jogos de grande incerteza quanto ao resultado, erros dos árbitros que são...erros, terminologia dos comentadores despida de parolices como “os grandes”, sorteios iguais para todos, decisões céleres dos orgãos disciplinares.
E muito dinheiro para os clubes oriundo de contratos televisivos bem negociados, fruto de uma negociação centralizada dos direitos , que devia fazer corar de vergonha os dirigentes de clubes e ligas de outros pontos da Europa.
Mas para além de tudo isso a liga inglesa tem ainda o encanto quase único em termos europeus de ter vários candidatos ao título,meia dúzia no mínimo, que naturalmente dão a todos os jogos um interesse e uma incerteza que alimenta a paixão dos adeptos e o interesse das televisões e patrocinadores.
Este ano enquanto o Chelsea procurará renovar o titulo ganho na época passada de forma brilhante, tem em compita directa consigo um grupo significativo de grandes equipas pertencentes a clubes históricos e que quererão recuperar um titulo que todos eles já venceram noutros tempos.
À cabeça o Manchester City de Pep Guardiola e o Manchester United de José Mourinho que reforçaram a rivalidade típica de dois clubes da mesma cidade com a contratação, na época passada, de dois treinadores que muitos consideram os melhores do mundo e com um largo historial de rivalidade pessoal(não inimizade) construida essencialmente nos tempos em que treinavam Barcelona e Real Madrid
E que para esta época não foram nada parcos na forma como desembolsaram milhões e milhões para reforçarem as suas equipas.
Depois o Liverpool de Klopp.
O clube mais vezes campeão a seguir ao Manchester United mas que há mais de duas década que não vence o titulo e que na sua segunda época dirigido por Jurgen Klopp será certamente uma equipa a considerar nessa disputa.
Mas há também o Arsenal de Arsene Wenger e o Tottenham de Maurício Pochettino que há anos afastados do titulo (os “spurs” desde 1961 !) são competidores a ter em conta face à valia das equipas e ao que tem sido o seu historial nas ultimas épocas.
E depois , convém não esquecer, pode sempre surgir um outsider como o Leicester que duas épocas atrás ganhou o seu primeiro titulo de campeão, de forma categórica, perante a surpresa generalizada do mundo do futebol.
É assim o fantástico futebol inglês.
O verdadeiro “oitenta” do futebol europeu.
Depois há vários “oitos”.
Como naquele país dos campos inclinados, das arbitragens e vídeo arbitragens tendenciosas, dos sorteios que favorecem três “filhos” e discriminam quinze “enteados”, da quase totalidade da comunicação social a ser subserviente, bajuladora e parcial a favor de três clubes, da negociação individual dos direitos televisivos que contribui largamente para o fosso competitivo entre os “filhos “ e os “enteados”, dos insuportáveis programas televisivos em que só os “filhos” tem assento e que servem para pressionar os agentes do futebol em favorecimento dos tais clubes, dos regulamentos absurdos que permitem que o empréstimo de jogadores sirva como forma de condicionar votos na assembleia geral da liga , de uma liga que promove uma taça com um regulamento feito de forma descarada para beneficiar os três do costume, dos dirigentes de quinze clubes que tudo aceitam e tudo votam como os tais três querem por razões que os deviam envergonhar.
Entre muitas outras coisas que justificam que ainda haja “oitos” numa Europa onde há “oitentas”.
Viva a “Premier League”!
Porque naquilo que a sustenta em termos de filosofia desportiva e na concepção de negócio que lhe está subjacente reside muita da esperança de manter o futebol como a mais popular modalidade desportiva do mundo.

sábado, agosto 12, 2017

O Nosso 14

Depois da derrota na supertaça o técnico Pedro Martins efectuou algumas mexidas na equipa para este jogo com o Chaves.
O "obrigatório" regresso de Pedro Henrique substituindo Marcos Valente e a troca ,não muito bem sucedida, de Rafael Martins por Estupinám no que constituiu apenas a  alternância de jogadores da mesma posição sem qualquer influência em termos de dispositivo táctico.
Chegou...mas podia não ter chegado.
Individualmente:
Miguel Silva: Sem culpa nos golos ainda terá evitado mais um ou dois com oportunas defesas.
João Aurélio: A defender cumpriu e a atacar teve o grande momento na espectacular desmarcação para o cruzamento do segundo golo.
Josué: Não é Beckenbauer (infelizmente) e por isso em cada dez passes de longa distância erra oito ou novo ao contrário do "Kaiser" que os acertava todos ou quase. A defender não está isento de responsabilidades nos golos do Chaves. Em especial no primeiro.
Pedro Henrique: Reparte com Josué as responsabilidades no segundo golo flaviense. Um regresso a meio gás.
Vigário: Saiu-lhe a "fava" (Matheus Pereira) que lhe deu 15 minutos iniciais de grande preocupação. Depois acertou na marcação e fez um jogo de muito boa qualidade.
Célis: Uma excelente exibição. A defender esteve em grande plano e a atacar tentou sair com a bola jogável e foi alvo de muitas faltas. O lugar parece ser dele.
Zungu: Um jogo de intermitências. Muito bem na frieza com que fez o golo.
Hurtado: Um jogo de altos e baixos em que marcou um golo fácil e falhou outro mais fácil ainda. É um jogador com alguma dificuldade em manter um bom plano exibicional.
Raphinha: Um bom jogo e um excelente golo.
Estupinám: Duas excelentes oportunidades que não conseguiu converter. Um jogo de grande empenho de um jogador que será reforço mas com calma.
Hélder Ferreira: Vem-se revelando uma excelente aposta. Agressivo a atacar, sem medo de tentar o remate, também ajuda os laterais a defender e ainda tem a qualidade de recuperar bolas e sair a jogar. Está a caminho de ser um jogador de muito boa qualidade e destacar-se no nosso futebol.
Foram suplentes utilizados:
Alexandre Silva: Não entrou bem no jogo. Outras oportunidades terá.
Rafael Miranda: Entrou para ajudar a defender e fez o que pôde.
Rafael Martins: Entrou tardíssimo e sem tempo para nada.
Não foram utilizados:
Douglas, Marcos Valente, Sturgeon e Texeira

Melhor em campo: Célis

Começar o campeonato com um triunfo é sempre positivo porque nada como entrar bem na prova. 
Se ao triunfo se juntarem momentos de bom futebol, especialmente em lances de contra ataque, isso também contribui para uma moralização importante desde que não se fechem os olhos às debilidades e se caia na patetice de pensar que só porque se ganhou já está tudo bem.
Não está.
O plantel tem debilidades, lacunas que urge preencher, a época é longa e há quatro competições para disputar, pelo que é urgente contratar reforços e não ficar à espera de eventuais empréstimos que são um erro de gestão desportiva cada vez mais evidente.
Até porque a situação financeira parece ser bastante melhor.
Depois Falamos

Rio de Janeiro


Fiorde Geiranger, Noruega


Caranguejo


sexta-feira, agosto 11, 2017

Começar Bem

João Vigário.
Para o Vitória era muito importante começar bem o campeonato depois de ter começado mal a época no famigerado jogo da supertaça.
E conseguiu-o com uma Vitória sobre o Chaves, que em boa verdade foi menos difícil do que o resultado expressa, depois de um jogo bem disputado que teve cinco golos e ficou a "dever" a ele próprio mais quatro ou cinco tantas as oportunidades desperdiçadas em especial pelos jogadores vitorianos.
Curiosamente até foi o Chaves que começou melhor o jogo, com uma postura ofensiva e criando várias jogadas de perigo, enquanto o Vitória parecia aturdido pela entrada de rompante do adversário e mostrava dificuldades em acertar as marcações e em ter a bola.
Passado o quarto de hora inicial de supremacia transmontana foi a vez de o Vitória se superiorizar e começar a criar sucessivas oportunidades de golo ,face ao bom jogo pelos flancos das duplas João Aurelio/Raphinha e Hélder Ferreira/Vigario , que viriam a render os tentos de Zungu e Hurtado mais claras oportunidades desperdiçadas por Estupinám em duas ocasiões (uma delas flagrante ) e Hurtado nomeadamente.
No segundo tempo a toada manteve-se, o Vitória fez mais um golo por Raphinha e viu Hurtado falhar um golo que vai direitinho para os "apanhados" desta época, e o guarda redes flaviense ainda se opôs muito bem a perigosos remates de Hélder Ferreira e Raphinha entre outros.
Mas o futebol é cheio de imprevistos e quando se aguardava o quarto golo do Vitória foi o Chaves que reduziu e lançou tal perturbação na equipa vitoriana que esta viria a sofrer um segundo golo em que tal como no primeiro os centrais vitorianos não ficam nada bem na fotografia.
E foram dez minutos finais de desnecessário sufoco.
Repetia-se assim a história da visita a Chaves na época passada em que depois de chegar a um tranquilo (supunha-se...) três a zero o Vitória permitiu que o adversário fizesse dois golos e quase não ganhava o jogo.
Do banco também não veio especial ajuda porque Alexandre Silva não entrou nada bem no jogo e chegou a desesperar os adeptos com as perdas de bola, a entrada de Rafael Miranda foi um sinal de querer defender o resultado que resultou num incentivo para o adversário e Rafael Martins entrou com vinte minutos de atraso porque desde os 65/70 minutos que se percebia que a "gasolina" tinha acabado a Estupinám.
Ganhou-se que era o essencial.
Mas reforçou-se a convicção de que a equipa precisa de reforços porque tem quatro provas para disputar e o plantel parece curto nalgumas posições.
Luís Godinho não teve influência no resultado mas fez um trabalho de alguma irregularidade que teve como caso maior um lance sobre João Aurélio na área flaviense em que, pelo menos, se justificava a  consulta ao vídeo árbitro.
Depois Falamos.