sexta-feira, dezembro 15, 2017

A Desistência

Por absoluta falta de tempo tenho escrito muito pouco sobre o Vitória.
Aliás a falta de tempo é de tal ordem que nem alguns jogos tenho conseguido ver limitando-me aos resumos porque depois de saber os resultados nunca tive paciência para ver jogos em diferido.  
Ontem ainda consegui ver a primeira parte, enquanto jantava num restaurante com várias pessoas à mesa, mas da segunda parte apenas vi o resumo dos golos e pouco mais.
Mas nem precisava.
Porque quando num jogo a eliminar, disputado em casa de um adversário forte e motivado pela carreira na Liga e na Liga dos Campeões, se entra com aquele onze inicial é evidente que as coisas só podiam correr mal.
Fazer poupanças num jogo deste não lembra a ninguém mas foi lembrar a Pedro Martins.
E por isso perdemos. E por isso fomos goleados. E por isso o regresso ao Jamor não será este ano.
Deixar no banco Raphinha, Héldon, João Aurélio,Rafael Martins para entrar com Moreno,Rincón, Sturgeon, Francisco Ramos e Tallo é, no mínimo, por-se a jeito para aquilo que inevitavelmente veio a acontecer.
Não entendo que o Vitória tenha desistido de tentar seguir em frente.
Porque do outro lado, pese embora um plantel mais rico em quantidade e qualidade de soluções, não vi poupanças nenhumas mas sim uma enorme determinação em ganharem o jogo e seguirem em frente na prova.
É pena que estejamos assim.
Quanto ao árbitro Carlos Xistra já escrevi sobre ele várias vezes e ,infelizmente, sem razões para elogio na maioria delas.
Mas ontem, do meu ponto de vista, não errou nos dois lances mais polémicos porque Vítor Garcia jogou a bola com a mão e Sturgeon aproveitou o contacto para se deixar cair.
Eu sei que a alguns dá jeito desculparem os insucessos com os árbitros.
Às vezes até tem razão.
Mas ontem não.
Depois Falamos.

quinta-feira, dezembro 14, 2017

Taça

A Taça de Portugal é a mais "democrática" de todas as competições futebolísticas nacionais porque permite a equipas com valor inferior superiorizarem-se a adversários mais fortes e continuarem em competição contra todas as expectativas.
Tem um sortilégio muito próprio, uma atractividade que não é comparável com nenhuma outra competição, uma final que é sempre um momento de consagração do futebol e uma "festa" que deixa marcas em quem nela já participou.
A edição deste ano não foge à regra.
De surpresas, como a eliminação do Marítimo pelo Cova da Piedade, a goleadas, como a do Sporting sobre o Vilaverdense ou a do Aves em casa do União da Madeira, já houve resultados para todos os gostos que nuns casos permitiram a continuidade de quem se esperava e noutros provocaram as tais surpresas próprias da Taça.
Nos jogos da quinta eliminatória já disputados verificaram-se os apuramentos de Cova da Piedade, Moreirense, Rio Ave, Farense, Desportivo das Aves e Sporting faltando realizar os jogos entre Porto e Vitória (hoje) e o Caldas-Académica agendado para 30 de Dezembro.
Destaque para a boa prova do Rio Ave,eliminou até agora Braga e Benfica, para a certeza de que nos quartos de final estarão três clubes de escalões inferiores (Cova da Piedade, Farense e Caldas ou Académica) e para o mérito do Cova da Piedade indo eliminar o Marítimo ao Funchal.
Hoje, no Dragão, o Vitória vai tentar a continuidade em prova ciente de que lhe calhou um mau adversário mas também de que os jogos só se ganham depois de jogados pelo que há que entrar em campo de forma determinada e ambiciosa.
É evidente que o Porto é favorito,porque joga em casa e porque tem outros argumentos, mas sendo a Taça a prova das surpresas por excelência há que acreditar que o Vitória pode vencer e regressar ao Jamor no final da temporada.
Depois Falamos

Parque Jasper, Canadá


Caranguejo

Foto: National Geographic

terça-feira, dezembro 12, 2017

Liberdade e Democracia

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

Sou militante do PSD/JSD há quarenta e dois anos.
E espero continuar a ser por muitos mais.
Equivale isto a dizer que comigo não contam para discursos anti partidos, anti políticos e para a exaltação de tecnocrata apartidários ou de independentes vá-se lá saber de quê…
Mas porque a militância partidária não me tolhe a razão nem o sentido critico nada me custa admitir que estes 43 de democracia tem sido, especialmente na ultima década, extremamente degradantes para a imagem dos políticos, da politica e até da própria democracia como preocupante e recente sondagem bem exemplifica.
Em grande parte por culpa da própria classe politica que se põe a jeito, é fácil reconhecê-lo, mas uma parte não depreciável da responsabilidade dos próprios cidadãos que adoram dizer mal dos políticos e culpar a política por todos os males que o país enfrenta.
Sem olharem muitas das vezes para os espelhos que tem em casa…
Agora no que não acredito, nem nos momentos de maior indignação ou desânimo, é na existência de soluções fora do quadro partidário e da vida normal em democracia típica de um verdadeiro Estado de direito.
Governos de iniciativa presidencial, nomeação de governos sem estarem legitimados pelo voto do povo ou até um regresso dos militares ao poder como alguns parecem defender em ocasiões especificas são “não” alternativas a merecerem a firme oposição de todos quantos acreditam nas instituições democráticas, na liberdade e no valor supremo do voto livre, universal e secreto.
Por isso acredito que Portugal saberá voltar a encontrar o seu caminho.
Que não passa por tecnocratas desprovidos de afectos (e os governos devem governar a pensar nas pessoas) nem em independentes da política mas sempre dependentes do poder politico e disponíveis para o servirem independentemente (aí sim independentes…) da cor partidária.
Portugal tem um governo que não foi eleito pelo povo mas governa dentro d euma legitimidade constitucional indesmentível e inquestionável.
Só em circunstâncias muito excepcionais (felizmente que já lá não está Jorge Sampaio para dar à excepcionalidade o carácter que lhe convinha), que neste momento não se verificam, se poderia admitir uma interrupção do ciclo governativo e a convocação de eleições antecipadas.
 Por mais erros e disparates, por mais incompetência ,incapacidade e falta de sentido de Estado que António Costa e os seus ministros revelem no dia a dia da governação.
Por mais que o governo seja sustentado no Parlamento por forças radicais que votam a favor dos seus Orçamentos e outras medidas no intervalo dos cada vez mais insistentes insultos que lhe dirigem.
Gente sem pudor nem vergonha que tudo aceita, tudo engole, a tudo faz boa cara com o único intuito de se manterem no poder a qualquer preço.
A mim, como cidadão contribuinte, interessa-me essencialmente que os governos sejam capazes, competentes, idóneos,honrados e eficazes.
Que governem bem!
 Que tenham capacidade reformista.
Descentralização, lei eleitoral autárquica, círculos uninominais , verdadeira limitação de mandatos para autarcas e deputados , capacidade de olhar o país como um todo e reduzir,de facto, as assimetrias  são alguns dos grandes desafios que se põe a quem quiser governar Portugal depois da Frente de Esquerda.
E esse governo, legitimado pelo voto e não soma de votos antagónicos, será liderado pelo PSD de Pedro Santana Lopes.
Porque não há outro PSD.
Nem outro líder capaz de vencer o PS marcando as diferenças enormes entre os dois partidos.

Sequóias



Oitavos

Terminada a fase de grupos, sem surpresas de maior, a Liga dos Campeões entra agora da fase dos jogos a eliminar rumo à desejada final.
Hoje foi realizado o sorteio dos oitavos de final.
E mesmo sabendo-se que sorteios são sorteios (mesmo na UEFA...) não deixa de ser curioso o acasalamento das equipas reservando,em teoria, para fase mais adiantada o confronto entre os emblemas mais poderosos.
Que se pode então dizer sobre o sorteio de hoje?
Que há favoritos claros, outros nem tanto e jogos de resultado em aberto.
Arrisquemos um prognóstico:
No Sevilha-Manchester United há um favoritismo inglês mas os espanhóis podem bem contraria-lo e não seria a primeira vez que o fariam.
Real Madrid-PSG é uma eliminatória apaixonante, talvez o duelo mais interessante desta fase, mas acredito que o RM acabará por se superiorizar. Mas nunca fiando.
Chelsea-Barcelona um confronto frequente nos últimos anos parece indiciar favoritismo dos catalães face,até, à época menos regular dos ingleses.
Juventus-Tottenham é jogo para favoritismo do actual vice campeão europeu mas o segundo jogo em Londres pode baralhar os palpites.
Basileia-Manchester City é de claro favoritismo dos ingleses que são melhor equipa em todos os aspectos. Talvez o duelo mais desequilibrado.
Porto-Liverpool é uma eliminatória bastante aberta. O Porto vai encontrar um adversário capaz do melhor e do pior que tem revelado grande capacidade goleadora. Ligeiro favoritismo dos homens da terra dos Beatles.
Bayern-Besiktas é confronto de favoritismo alemão e seria uma enorme surpresa outros desfecho que não o apuramento dos homens de Munique.
Finalmente  o Shakhtar-Roma é provavelmente o confronto de resultado mais incerto mas creio que os ucranianos de Paulo Fonseca acabarão por ser superiores.
Em suma aposto em Manchester United, Real Madrid, Barcelona, Juventus, Manchester City,Liverpool, Bayern e Shakhtar como as equipas que rumarão aos quartos de final.
Lá para Março saberemos.
Depois Falamos

segunda-feira, dezembro 11, 2017

Bola de Ouro

O meu artigo desta semana no zerozero.

Num cada vez mais incontornável sinal dos tempos, em que a componente comercial se impõe tantas vezes à componente desportiva, é normal que a atribuição de prémios ao desempenho desportivo se venha multiplicando porque cada evento de entrega do respectivo troféu é a oportunidade mais uns bons negócios.
Televisivos, de imagem, de marcas e tudo o mais que se proporcione.
Talvez por isso, talvez por outras razões, a FIFA e a revista “France Football” depois de durante alguns(poucos) anos terem unificado as respectivas escolhas do melhor jogador mundial de cada ano, atribuindo-lhe a deseja da “Bola de Ouro”, voltaram a separar as escolhas organizando cada instituição a respectiva gala de entrega do troféu com os respectivos e nada depreciáveis proventos económicos.
Correndo-se o risco de um destes anos mais próximos as escolhas recairem sobre jogadores diferentes porque o universo eleitoral também é diferente.
Mas para já não aconteceu pelo que os “papa troféus” Ronaldo e Messi vem açambarcado em simultâneo os dois prémios não dando a minima hipótese de qualquer outro jogador ser distinguido.
Devo dizer, por coerência, que não tendo qualquer duvida que nestes ultimos dez (!!!) anos o  português e o argentino foram os melhores jogadores do planeta continuo a entender que há sempre um enorme grau de subjectividade na escolha do “melhor” porque os juris olham com mais atenção para determinados aspectos-os golos por exemplo- do que para outros o que torna virtualmente imposssível um guarda redes repetir o feito de Yashin e vencer o troféu de melhor do mundo seja na versão FIFA seja na versão France Football.
É verdade que “sal” do futebol é o golo e que o objectivo de qualquer equipa, em qualquer jogo, é marcar mais golos do que o adversário mas o futebol não se esgota nessa componente e há outras que merecem mais atenção do que aquela que normalmente lhes é dada.
E não tomando as já referias “dores” de nomes grandes do futebol como Gianluigi Buffon, Peter Schmeichel , Manuel Neuer , Iker Casillas ou Michel Preud´homme que nunca ganharam (nem ganharão para os que ainda jogam) um desses troféus porque jogam do lado “errado” da baliza e a sua função é impedir golos custa-me ver que jogadores soberbos como foram Maldini, Xavi, Pirlo, Roberto Baggio ou Francesco Totti entre outros passaram ao lado dessa distinção individual que bem mereciam.
E se a questão se põe desta forma em relação aquele que todos os anos é eleito o “melhor do mundo” (pois é, só pode ser um) há uma outra eleição em que não entro, nunca entrarei, nem sequer concordo que se faça que é a do melhor jogador de todos os tempos.
Pela simples razão de que os tempos não são comparáveis.
E se os melhores do mundo da actualidade tem bases de comparação porque jogam nos mesmos estádios, nas mesmas competições, com idênticas formas de preparação, com bolas,equipamentos e botas equiparáveis, com medicina desportiva igual para todos, já essa comparação é impossível de fazer quando se quer escolher entre jogadores que tiveram o seu tempo em épocas muito diferentes em todos os aspectos.
Não se podem comparar os tempos de Di Stéfano e Kubala com os de Pélé e Eusébio, os destes com os de Cruyff e Beckenbauer, os de Maradona e Van Basten com os de Ronaldo e Ronaldinho e os destes com os de Messi e Cristiano Ronaldo entre outros exemplos possíveis. E por isso, do meu ponto de vista, nunca será possível dizer com rigor quem foi o melhor de sempre.
Mas os melhores da última década isso pode.
Ronaldo e Messi.
Cinco bolas de ouro para cada um, cinco distinções da FIFA de “melhor do mundo” igualmente para cada um deles e a certeza que estes dois génios ficarão na História do futebol como dois dos melhores de sempre (quanto a isso creio que ninguém tem duvidas) a pisarem relvados de futebol.
E a certeza de que dificilmente o futebol voltará a assistir a uma década em que dois jogadores prodigiosos mantenham semelhante disputa por troféus individuais ainda por cima com uma divisão entre eles irmamente feita.
Não sei se a quinta “Bola de Ouro” de Ronaldo encerra este ciclo fabuloso de disputa entre eles, com largo benefício de quem gosta de futebol, ou se o futuro ainda trará mais conquistas individuais para um e outro enriquecendo palmarés já de si tão ricos.
Em qualquer das circunstâncias creio que todos quantos gostam de futebol tem boas razões para se sentirem gratos por tudo que estes dois jogadores nos tem proporcionado ao longo desta década extraordinária e boas razões para terem uma expectativa bem positiva por tudo quanto ainda nos poderão dar nos próximos anos.

sábado, dezembro 09, 2017

Não Podem!

Numa candidatura à liderança de um partido há pelos menos três personagens que tem de ser da mais absoluta e solidária confiança pessoal do candidato.
O mandatário nacional, o presidente da comissão de honra e o director de campanha.
O mandatário porque representa o candidato tal como o nome indica, o presidente da comissão de honra porque personifica a junção dos valores em que se baseia a candidatura e respectivos apoiantes e o director de campanha porque é o estratega no terreno que dirige a campanha em função dos objectivos traçados pelo candidato.
São três escolhas profundamente pessoais do candidato e pessoas que tem de estar em absoluta sintonia com ele.
Nuno Morais Sarmento é o mandatário nacional de Rui Rio.
E numa desgraçada entrevista dada este fim de semana disse, por outras palavras mas de forma que toda a gente entendeu, que se Rui Rio não ganhasse o partido nas directas de Janeiro então mais valia votar em António Costa!
Disse portanto, só não entende quem não quer ou quem gosta de fazer dos outros parvos, que o PSD só lhe interessa quando ele e os amigos estão no poder porque caso contrário prefere os adversários aos próprios companheiros de partido.
Por muitas voltas que queiram dar ao texto foi o que disse.
O mandatário, como atrás foi dito, representa o candidato e a gravidade destas declarações atinge a candidatura de forma inegável e irreversível.
E o minimo que se esperava de Rui Rio, perante tão graves afirmações, é que de imediato desautorizasse o mandatário e procedesse à sua substituição por alguém que respeite o partido independentemente de quem o lidera.
Mas Rio calou-se.
E calou-se porque está de acordo com esta forma de entender o PSD.
Mais do que estar de acordo é ele o ideólogo desta aberrante preferência pelos adversários quando não se gosta dos companheiros que os militantes escolhem para representar o partido.
Ou não foi ele mesmo que depois dos orgãos próprios do PSD terem escolhido Luís Filipe Menezes para candidato ao Porto em 2013 foi a correr apoiar o adversário -Rui Moreira- causando com isso a derrota do PSD e a perda da câmara do Porto?
Foi!
E podem pessoas que pensam e agem desta forma dirigir o PSD?
Não podem!
Depois Falamos.

Farol de Formentor, Espanha


Trovoada